Na sexta série desabrochei para o sexo. Tinha treze anos numa turma em que a maioria dos meninos tinha quatorze ou mais. As meninas não me atraíam; a menos que fosse para uma competição pelos meninos. Inveja-lhes sim a beleza e os olhares que os outros meninos lhas dedicavam. A mim restavam dessa observação uma ponta de despeito e a desventura de perceber que as formas mais femininas que masculinas de meu corpo eram como uma chaga aberta que tinha permanentemente que esconder de quem eu desejava mostrá-las.

Aos treze anos tinha uma pele suave, diáfana, quase transparente pela ausência de sol e herança genética. Envergonhava-me ter que colocar calção nas aulas de educação física, por temer que os colegas pudessem troçar de minhas pernas alvas, sem pelos e bem torneadas. Em casa, mamãe e a empregada alimentavam essa distinção dizendo que elas eram mais belas que as de minha irmã mais velha. Nao falavam isso diante de todos, confabulavam comigo em franca cumplicidade, como se ja adivinhassem minha preferências sexuais. Contudo, afora o desejo íntimo de ser como as meninas, nenhum traço externo denunciava o fogo homoafetivo que incendiava minha alma.

Minha bunda completava esse quadro, mas aos treze anos só eu punha os olhos sobre ela, observando-a no grande espelho oval do toucador do quarto de minha mãe após o banho. Enquanto não a partilhava com quem julgava merecê-la, cobria-a com os cremes e pós de minha mãe para embelezar, amaciar e deixar a pele completamente suave. Sem dúvida era linda, sem pelos, redonda, e acho que grande em demasia para um menino, sobretudo aos treze anos. Era meu orgulho secreto, cioso de que seria um fator de extrema sedução quando desejasse atrair um menino para a cama.

Levei um tremendo susto na primeira vez que o professor de educação física, fazendo a turma correr até um riacho na saída da cidade, ordenou à chegada, que todos mergulhassem imediatamente. "Ninguém fora d'água", gritou. Como se ouvissem uma ordem cifrada, os meninos livraram-se dos uniformes completos, inclusive as cuecas, atirando-se na água em algazarra. Apenas dois entraram no riacho com cuecas, eu e Caniço, o único negro da turma. Receei tornar público, e depois alvo de pilhéria, o meu corpo de ninfa. Caniço, acredito, pelo corpo desengonçado de pernas magras e ossudas. Por isso o apelido lhe era próprio.

Não houve qualquer reação dos colegas a nossa reserva de ficar nus, acredito que nem mesmo ligaram muito para nossa opção. Mas a mim e a Caniço aquilo foi constrangedor, percebi. Mesmo de cuecas senti-me nu e exposto, que todos os olhares exploravam meu corpo, como se dedicassem toda atenção a minha bunda como observavam no colégo a das meninas. Talvez até alguém comentasse com o colega mais próximo: "que rabinho gostoso". Mas era tudo invenção de minha cabeça. Patente estava que muitos meninos tinham corpo atraente.

Notei sem que eles se apercebessem disso. Comprovei também o que já imaginara: Juliano, o maior da turma e repetente da série, aos dezesseis anos era tudo o que eu pensava dele, tinha pernas másculas, os músculos começando a insinuar-se sob a pele tensa davam-lhe um aspecto de virilidade precoce que os abundantes pelos pubianos confirmavam. Nas várias vezes que disfarçadamente passeei os olhos por seu corpo o pênis grande e grosso, mesmo em repouso, me dava calafrios que eu tinha certeza não serem da água gelada do riacho.

A visão de seu corpo tenso tomando a forma de homem não frustrava meus sonhos à noite na cama de ter um rasgo entre as pernas para aconchegar Juliano até que ele estremecesse dentro de mim, esgotando suas forças. Mas ele nunca me dedicara um olhar, uma palavra que não fosse de homem para homem. E todos os seus comentários me constrangiam de tomar qualquer iniciativa. Confessava a todos nós que já tivera sua primeira experiência com mulher num puteiro próximo a sua casa. E programava, proclamando isso aos quatro ventos, novas incursões ao local levando consigo quantos colegas quisessem acompanhá-lo. As meninas alvoroçavam-se a sua volta, desejando-lhe os beijos.

Eu retraía-me, fechando-me ainda mais em meu casulo protetor. Mas à noite em casa, na cama, tinha um estímulo a mais a partir daquele dia a acrescentar em meus sonhos eróticos com ele: o seu pênis. Via-o crescer em minha direção; e eu, langoroso, rendia-me aberto a sua investida firme de macho. Rompia em gemidos, o corpo tremendo ao toque de seu pênis em brasa viva. No dia seguinte no colégio a vergonha me dominava. Nao podia olhar Juliano nos olhos, fugia de sua presença e seus contatos, como se seus olhos e suas palavras confessassem nossas intimidades noturnas e até me recriminassem por ser diferente dos outros meninos. Temia também que tornasse público nossos encontros como alardeava sua experiência com a puta.

Mas era tudo receio de minha timidez. Embora não tivesse nada a temer, procurava a última fila de carteiras no fundo da sala. E foi lá que me aproximei de Caniço. A cumplicidade inicial entre nós teve origem no fato de também ele se segregar. A autopiedade uniu-nos. Como eu em relação a ele, ele também sentiu minha desconfortável situação na sala. Mas sinceramente acreditei que tudo que imaginou é que eu era tímido em excesso.

Passamos a andar juntos, e juntos programamos o primeiro banho de riacho, como era comum entre os meninos da sala. Não urdi nada, não tramei sexo com ele. Seria apenas uma diversão entre garotos da mesma idade.

Claro que nunca havia ido a um banho sozinho com outro menino. As únicas vezes foram com a família ou durante as aulas de educação física. Embora um banho inédito, senti-me à vontade com Caniço, porque alguns pontos de nossa história convergiam e outros eram tão opostos que eu não cogitava qualquer identificação sexual entre nós.

Era já fim da tarde quando chegamos ao riacho e o encontramos deserto. Tão à vontade estávamos que, ao contrário do dia em que nasceu nossa amizade na aula de educação física, ficamos completamente pelados para entrar na água e sem qualquer pudor um do outro. Caniço era mais velho um ano que eu, mas por ser menor quase um palmo e mais franzino, parecia mais jovem.

Ao fim do primeiro mergulho, voltei o rosto a sua procura e o surpreendi com os olhos grudados em minha bunda. Enrubesci na hora, agachando-me dentro da água como uma menina que flagra alguém espiando seu banho de ribeirão. Tardiamente descobri que estava nu e à vontade em sua presença. Caniço sorriu de meu desconcerto e comentou:

- Parece-se com a de uma mulher.

- O quê?

- A sua bunda.

- Voce já viu mulher pelada?

- Em fotos de revista. E é assim como a sua, redonda e sem cabelos.

Voltei a levantar-me da água, girei a cabeça querendo enxergar meu bumbum. Ele reforçou o comentário:

- É mesmo!

Desisti de enxergar-me atrás e pela primeira vez cravei os olhos em seu corpo. Era desprovido de atrativos, sem bunda e com pernas de extrema magreza. Mas acho que não era por isso que o pênis se destacava imenso, começando a intumescer ao perceber meu interesse. Nao desgrudei os olhos dele, exageradamentee grande para um menino de quatorze anos. Mas nada podia objetar, pois minha bunda também era desproporcional para um garoto de treze anos. Parecia contudo não ter pelos pelo corpo, nem no triângulo sobre o pênis.

Ele criou coragem para me fazer um pedido:

- Deixa eu te comer agora.

Seu pedido inesperado disparou uma descarga elétrica dentro de mim. Após a insinuação vi seu pênis completamente duro apontar impudicamente em minha direção. E era o maior que já pudera ver, embora duro so já vira o dele e o meu. O dele tinha ao menos uns dezesseis centímetros, ou três a mais que o meu. Em grossura, ganhava disparado. Depois de recuperar a fala, argumentei que já era tarde e podíamos ser surpreendidos. Prometi para outro dia.

De qualquer modo seu rosto se iluminou com um sorriso, mostrando seus dentes perfeitos. Também sorri sem jeito. Estavam asseguradas a minha e a sua iniciação sexual. Voltamos bem mais íntimos pela estrada, ele confessando a sua virgindade e eu revelando meus desejos homoeróticos. Entre uma confissão e outra eu pulava em suas costas, ele carregava-me por um trecho longo, quando cansava-se, punha-me no chão, dando-me palmadas no bumbum.

Seus castigos arrancavam-me gritinhos de felicidade.

Autor: Paulo Cesar
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FONTE - Conto Enviado pelo Internauta